Contos da Cripta Brasil Lendas reais, crimes sombrios e mistérios sobrenaturais do Brasil profundo. Histórias que o tempo não enterrou — e que ainda assombram.
quarta-feira, 16 de julho de 2025
Corpo Seco - Há maldade que nem a terra aceita. Diz o povo antigo que a terra tem suas próprias leis. Ela acolhe os justos, consome os pecadores… mas há certos tipos de gente que nem mesmo a terra quer. É daí que nasce a maldição do Corpo Seco. A história fala de um homem cruel. Sem nome, sem compaixão. Espancava a mãe, traía os vizinhos, judiava dos animais e ria da dor alheia. Quando morreu, a cidade achou que finalmente teria paz. Mas o descanso não veio. Nem para ele… nem para ninguém. Na hora de enterrá-lo, o coveiro estranhou. A cova, cavada no duro da terra, amanheceu como se nunca tivesse sido tocada. Tentaram de novo. Jogaram o corpo. Taparam o buraco. E no dia seguinte… lá estava o caixão, vomitado pela terra, jogado à superfície, como se fosse coisa podre demais até para o inferno. Dizem que o padre tentou benzer o solo. Nada adiantou. A própria natureza se recusava a recebê-lo. Então, numa madrugada abafada e sem lua, o caixão apareceu vazio. Desde aquele dia, o Corpo Seco vaga. Não anda como um homem. Ele se arrasta, ossos cobertos por um couro ressequido, o rosto sem olhos, apenas buracos fundos que exalam cheiro de podridão. Seus membros são retorcidos, mas ele se move devagar, rangendo, como madeira velha estalando. E onde passa, tudo apodrece. As plantas murcham. Os bichos somem. Os cães latem para o nada. E o ar... o ar fica pesado, denso, com gosto de metal na língua. Ele não fala. Só emite um som rouco, como se tossisse terra seca. O Corpo Seco não busca vingança. Ele busca calor. Vida. Corpo. Dizem que ele sente frio. Um frio que vem de dentro. Um vazio que nem a morte preencheu. E se ele te encontrar sozinho, no meio do mato ou à beira de uma estrada esquecida… vai tentar te tocar. Com dedos longos, duros como raízes mortas. Vai tentar se agarrar à sua pele, ao seu sangue, à sua alma. E, se conseguir, ele entra. E o que sobra… já não é mais você. Alguns juram que viram marcas fundas no chão, como se algo tivesse se arrastado por ali. Outros contam que ouviram sussurros secos nas noites sem vento. Mas os velhos dizem apenas uma coisa: "Quem a terra não quis… ninguém mais pode parar."
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