terça-feira, 22 de julho de 2025

Pegadas ao Contrário Na beira da floresta de Arari, um velho caçador chamado Zé Bento jurava que conhecia cada árvore, cada trilha, cada som. Mas numa tarde abafada de verão, decidiu adentrar mais fundo, atrás de uma caça rara. Ignorou os avisos dos mais velhos e as histórias que rondavam o lugar: “Ali mora o Curupira... protetor da mata.” Com o rifle em punho, Zé Bento seguiu os rastros de um veado. Mas, de repente, as pegadas começaram a parecer... estranhas. Estavam viradas para o lado errado. “Coisa de bicho assustado”, pensou. Continuou andando. E andando. E andando... As árvores pareciam se repetir. O sol já se escondia quando um assobio fino cortou o ar. Zé Bento parou. O coração acelerou. E então, entre os troncos, ele viu: um garoto de cabelos vermelhos como fogo, com olhos brilhando feito brasas, parado, observando. Nos pés? Estavam ao contrário. — "Você entrou onde não devia, homem..." disse o garoto, com voz firme. Zé Bento tentou correr, mas quanto mais corria, mais se perdia. A mata parecia viva, fechando caminhos, confundindo os sentidos. A noite caiu e os sons da floresta tomaram conta. No dia seguinte, encontraram o velho caçador sentado à beira do rio, sem fala, segurando o chapéu contra o peito. Nunca mais voltou à mata. Dizem que, de tempos em tempos, alguém ainda encontra as pegadas ao contrário, bem no começo da trilha... um aviso claro: O Curupira ainda está lá. E a floresta tem olhos..

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